Entidades do setor varejista e industrial expressaram preocupações após o governo federal decidir abolir a chamada “taxa das blusinhas”, um imposto de 20% aplicado sobre compras internacionais de até US$ 50 realizadas através do programa Remessa Conforme. A Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex) considerou essa medida um “grave retrocesso econômico” e um “ataque direto à indústria e ao varejo nacional”. Segundo a associação, o fim da tributação pode prejudicar empresas brasileiras, especialmente micro e pequenas, que sustentam a arrecadação do país. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) alertou que a decisão pode “aprofundar a concorrência desigual” enfrentada pelas empresas nacionais, que já lidam com uma carga tributária elevada e custos operacionais crescentes. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também criticou a medida, afirmando que ela favorece a indústria de países como a China, principal exportador de produtos de baixo valor. As entidades argumentam que a taxa anterior ajudava a proteger a indústria nacional e estimular o consumo local. O economista-chefe da consultoria Análise Econômica destacou que o imposto funcionava como uma barreira à entrada de produtos importados mais baratos, que poderiam prejudicar a produção interna. A decisão do governo foi formalizada por meio de uma Medida Provisória e já está em vigor, com especialistas prevendo um impacto imediato nos preços ao consumidor, mas com consequências graves para a indústria brasileira. Os setores afetados já manifestaram resistência à decisão, ressaltando que o fim da taxa pode resultar em uma perda significativa de empregos e um aumento da desigualdade competitiva no mercado.
Fonte: G1



