A Oncoclínicas, uma das principais empresas do setor oncológico no Brasil, anunciou a renúncia de seu fundador, Bruno Lemos Ferrari, ao cargo de membro e vice-presidente do conselho de administração. A decisão, que teve efeito imediato, foi divulgada em um fato relevante na última quinta-feira, 16. Essa saída acontece em um momento crítico, pois a empresa enfrenta um dos piores resultados financeiros de sua história, com um prejuízo acumulado de R$ 3,67 bilhões no último ano, em comparação aos R$ 717 milhões de perdas do ano anterior.
A situação financeira da Oncoclínicas é alarmante, com um capital circulante negativo de R$ 2,31 bilhões, indicando que a empresa possui mais obrigações de curto prazo do que receitas a receber. Essa crise gerou impactos diretos nas operações, resultando em relatos de falta de medicamentos e atrasos nos tratamentos oncológicos. Parte das perdas significativas está ligada a investimentos no Banco Master, que resultaram em uma perda de R$ 430,8 milhões.
Além disso, a inadimplência da Unimed-Ferj também contribuiu para o resultado negativo, com um impacto de R$ 861 milhões. A auditoria revelou que a empresa descumpriu indicadores financeiros em contratos de dívida, o que pode levar credores a antecipar o vencimento das obrigações. Nesse contexto, a Oncoclínicas busca reestruturar sua operação e caixa, o que inclui negociações com credores e investidores.
As mudanças no conselho da empresa continuam, com a saída de Ferrari e a entrada de Mateus Affonso Bandeira, indicado pela MAK Capital. O diretor-presidente Carlos Gil Ferreira também passou a integrar o conselho. Analistas alertam para a deterioração acelerada do negócio, que enfrenta uma dívida total de cerca de R$ 3,8 bilhões, com 85% concentrados no curto prazo. O cenário financeiro crítico da Oncoclínicas levanta preocupações sobre sua continuidade operacional e a possibilidade de uma recuperação judicial.
Fonte: Oeste











