O golpe do falso advogado no Brasil evoluiu de uma simples fraude para um esquema com características típicas de organizações criminosas. Segundo informações da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e autoridades responsáveis, a frequência das ocorrências e a padronização das abordagens indicam um plano mais profissional e estruturado. Criminosos estão agindo simultaneamente em diferentes estados, o que sugere uma rede bem organizada. No ano passado, 73 casos foram registrados junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), enquanto apenas no primeiro mês deste ano já foram formalizados três novos registros, o primeiro deles em São Paulo.
Eduardo Ferrari, coordenador da força-tarefa da OAB paulista, destaca que os golpistas utilizam informações públicas do Judiciário para conferir legitimidade ao contato. A fraude geralmente se inicia com uma ligação ou mensagem, onde o criminoso se apresenta como advogado e afirma que é necessário um pagamento imediato para a liberação de valores. As transferências frequentemente ocorrem via Pix ou depósitos em contas de terceiros.
O promotor João Paulo Santos Schoucair observa que o padrão destes golpes possui elementos que se assemelham a práticas de crime organizado, com divisão de funções entre os envolvidos e possível conexão com facções criminosas. As vítimas são mapeadas a partir de dados extraídos de processos judiciais, aumentando a veracidade da fraude. No entanto, muitos não reportam os crimes à polícia por constrangimento ou falta de conhecimento, o que torna o problema ainda mais abrangente. O CNJ registra esses casos, mas os números representam apenas uma fração da realidade, já que muitos preferem não se expor.
Fonte: Oeste











