O governo brasileiro está considerando uma nova modalidade de exportação de energia hidrelétrica para a Argentina e o Uruguai, que se baseia na venda antecipada de energia ainda a ser gerada, um mecanismo conhecido como “vertimento turbinável antecipado”. Essa proposta foi revelada em documentos da consulta pública aberta pelo governo, visando gerar receita com energia que atualmente não é utilizada para atender à demanda interna do país. Essa situação ocorre devido ao excesso de energia disponível, que prejudica a operação do sistema elétrico nacional e afeta negativamente as usinas solares e eólicas.
A ideia já é defendida por grandes geradores de energia elétrica, que têm discutido com o governo maneiras de viabilizar essa exportação. Em 2022, o Brasil criou regras para permitir a exportação de geração hidrelétrica excedente, mas limitadas a vertimentos “iminentes” — sobras de água que ocorrem em breve. Agora, a proposta busca ampliar essa possibilidade para vertimentos futuros, permitindo uma melhor gestão dos recursos hídricos.
O novo sistema poderá autorizar a exportação antecipada quando houver previsão de sobra futura de água capaz de gerar energia. Essa operação será realizada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), garantindo que a energia dos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste, essenciais para o abastecimento nacional, seja preservada. A proposta considera dois períodos ao longo do ano, com base no ciclo de chuvas, o que deve beneficiar tanto os geradores hidrelétricos quanto os consumidores brasileiros. A presidente da Abrage, Marisete Dadald Pereira, destacou que essa modalidade de exportação ajudará a evitar desperdícios no sistema elétrico, promovendo um uso mais eficiente das fontes de energia renovável.
Fonte: G1







