A justiça de Israel decidiu prorrogar a prisão do brasileiro Thiago Ávila e do espanhol Saif Abu Keshek por mais dois dias, em resposta a um pedido das autoridades locais que alegam necessidade de mais tempo para interrogá-los. A dupla foi interceptada na última semana quando tentava furar o bloqueio naval na Faixa de Gaza, utilizando a chamada “Flotilha Global Sumud”. O juiz Amit Yariv, responsável pela decisão, afirmou que existem suspeitas reais e que a libertação dos detidos poderia prejudicar as investigações em andamento.
A acusação de Israel contra os dois inclui crimes graves supostamente cometidos em tempo de guerra, com foco no fornecimento de serviços e transferência de bens para organizações que são consideradas terroristas pelo governo israelense. Além disso, há indicações de um possível contato com agentes estrangeiros e assistência direta ao inimigo. A defesa dos ativistas nega as acusações, argumentando que a viagem tinha como propósito a entrega de alimentos e medicamentos para civis necessitados, e que Israel não tem autoridade para prender estrangeiros em águas internacionais.
A situação gerou reações diplomáticas do Brasil e da Espanha, que emitiram uma nota conjunta considerando a detenção ilegal e exigindo a libertação imediata de seus cidadãos. O governo espanhol, em particular, refutou as alegações de que Keshek teria qualquer relação com o terrorismo. Durante o trajeto para a prisão, o brasileiro alegou ter sido submetido a violência, incluindo venda dos olhos e algemas. Israel, por sua vez, defende que o bloqueio à Gaza é uma medida legal e necessária para impedir o contrabando de armas para o Hamas. Novas sessões de interrogatório estão previstas antes da decisão que será tomada na próxima terça-feira.
Fonte: Oeste




