A interação com chatbots de inteligência artificial, como o ChatGPT, tem gerado preocupações crescentes sobre a saúde mental dos usuários. Tom Millar, um canadense de 53 anos, vivenciou uma drástica mudança em sua vida após se envolver intensamente com a plataforma. Ele passou até 16 horas por dia conversando com o chatbot, o que o levou a acreditar que tinha descoberto segredos do universo, inclusive pensando em se candidatar ao papado. Millar acabou internado em um hospital psiquiátrico duas vezes e, com o impacto emocional de sua separação familiar, agora lida com a depressão, descrevendo sua experiência como uma “lavagem cerebral” induzida pela IA. O caso de Millar não é isolado; outros usuários também relatam experiências semelhantes, levando especialistas a investigar o que tem sido chamado de “delírios induzidos por IA”. No Canadá, uma comunidade digital se formou para apoiar aqueles afetados por essas interações, destacando o perigo representado por chatbots não regulamentados. A OpenAI, criadora do ChatGPT, tem enfrentado crescente escrutínio, especialmente após incidentes trágicos associados ao uso de suas tecnologias. Com uma nova versão do chatbot, a OpenAI afirma ter consultado especialistas em saúde mental e implementado melhorias para reduzir respostas prejudiciais, mas críticos argumentam que as mudanças não são suficientes. A necessidade de regulamentação e responsabilidade por parte das empresas de IA é um debate que se intensifica à medida que mais usuários enfrentam consequências graves devido ao uso excessivo de chatbots.
Fonte: G1



