A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) projeta uma queda de 8% nas vendas de máquinas agrícolas para o ano de 2026. Essa retração é atribuída a uma combinação de fatores, incluindo juros elevados, restrições de crédito e uma crescente inadimplência, além da queda nos preços das commodities. A situação é ainda mais complicada devido aos efeitos da instabilidade no Oriente Médio, que elevou o preço do petróleo, encarecendo insumos e combustíveis, e, consequentemente, aumentando os custos de produção para os agricultores.
Dados recentes revelam um cenário preocupante para o setor. Em fevereiro, a indústria de máquinas e equipamentos registrou uma queda de 13,6% na receita líquida de vendas em comparação ao ano anterior, totalizando R$ 20,6 bilhões. No mercado interno, a retração foi ainda mais significativa, alcançando 18,8%, enquanto o consumo aparente teve uma redução de 14,2%. Apesar de as exportações terem crescido 20,5%, esse aumento não foi suficiente para compensar a fraqueza da demanda interna.
No primeiro bimestre de 2026, as vendas caíram 17% em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando R$ 8 bilhões, com o mercado interno respondendo por R$ 6,8 bilhões, ou 85% do total. O presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, Pedro Estevão Bastos, destacou que o aumento do preço do diesel já está impactando os custos do setor e deve continuar a se intensificar. Ele também mencionou que o encarecimento de insumos, como fertilizantes nitrogenados, deverá agravar ainda mais a pressão sobre a indústria agrícola. A inadimplência no setor, que se aproxima de 7%, ultrapassa a média histórica de cerca de 1,5%, evidenciando a necessidade de ações mais eficazes por parte do governo para mitigar esses efeitos.
Fonte: Oeste







