Durante o Conservative Political Action Conference (CPAC) realizado nos Estados Unidos, produtores rurais expressaram preocupações sobre a atuação da JBS no setor de proteína animal. Os rancheiros levantaram acusações de que a empresa brasileira teria ingressado no mercado norte-americano com capital relacionado à corrupção. Essas declarações foram destacadas pelo site A Investigação, do jornalista David Agape. A crítica surge em um contexto de investigação antitruste e de um projeto em tramitação no Senado dos EUA que visa limitar a concentração no setor de carnes.
A secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, se reuniu com uma coalizão de produtores que pedem a reinstauração da rotulagem obrigatória da origem da carne, além de outras medidas para reduzir a concentração do mercado, onde quatro empresas dominam cerca de 85% do processamento de carne bovina. Os rancheiros relataram que a renda dos pecuaristas norte-americanos tem diminuído, levando muitos a abandonar a atividade.
A JBS, que começou suas operações no mercado dos EUA em 2007 com a aquisição da Swift, também foi mencionada em investigações anteriores. Em 2020, a Securities and Exchange Commission apresentou acusações contra os empresários Joesley e Wesley Batista por violações do Foreign Corrupt Practices Act, envolvendo um esquema de propinas que teria movimentado cerca de US$ 150 milhões. O grupo J&F Investimentos chegou a um acordo com o Departamento de Justiça dos EUA, pagando US$ 256 milhões para encerrar o processo.
A situação se agrava com o fato de que, em 2015, o Congresso dos EUA revogou a Lei Mandatory Country of Origin Labeling, que exigia a identificação da origem da carne, permitindo que produtos importados fossem misturados com a produção local sem a devida distinção ao consumidor. Essa prática levanta sérias preocupações sobre a transparência e a ética no comércio de carnes nos Estados Unidos.
Fonte: Oeste






