O presidente russo, Vladimir Putin, chegou à China para um encontro com o líder chinês Xi Jinping, em um contexto que ressalta a crescente dependência da Rússia em relação ao comércio, tecnologia e finanças chinesas. Desde o início da guerra na Ucrânia, as exportações da Rússia para a China quase dobraram, totalizando cerca de 129 bilhões de dólares em 2024, principalmente em petróleo, carvão e gás natural, vendidos a preços com grandes descontos. Em contrapartida, a China exportou cerca de 116 bilhões de dólares em bens para a Rússia, oferecendo máquinas, eletrônicos e veículos que substituíram fornecedores ocidentais que deixaram o mercado russo. Essa troca, embora beneficie ambos os lados, evidencia uma relação assimétrica, onde a Rússia se torna cada vez mais vulnerável às prioridades de Pequim.
As sanções ocidentais têm cortado o acesso da Rússia a tecnologias avançadas, forçando Moscou a depender da China para suprir cerca de 90% de suas importações de tecnologia sancionada. Além disso, a transição para negociações em yuan e rublos, uma resposta às sanções financeiras, incrementou a influência chinesa sobre a economia russa, ao mesmo tempo que criou novas dependências.
Analistas acreditam que a influência da China sobre a Rússia continuará a crescer, especialmente com a possibilidade de novos gasodutos que fortaleceriam a segurança energética da China. No entanto, essa relação não é sem riscos, pois a dependência russa pode aumentar ainda mais, deixando Moscou à mercê das decisões de Pequim. O encontro entre Putin e Xi ocorre em um momento em que a relação entre os EUA e a China parece estar buscando estabilização, o que pode reduzir o incentivo da China para se alinhar totalmente à Rússia contra o Ocidente.
Fonte: G1



