A participação das receitas geradas pela distribuição de encomendas internacionais pelos Correios despencou de 22% em 2023 para apenas 7,8% em 2025, conforme revelam as demonstrações financeiras da estatal. Essa drástica redução é atribuída à implementação do programa Remessa Conforme, promovido pelo Ministério da Fazenda, que quebrou o monopólio dos Correios na entrega de encomendas internacionais no Brasil. Em 2024, a empresa já havia visto sua receita com esses serviços cair para R$ 3,9 bilhões, uma diminuição de R$ 530 milhões em relação a 2023. Para 2025, o cenário se agravou, com a receita caindo para apenas R$ 1,3 bilhão, resultando em uma perda de R$ 2,6 bilhões em comparação ao ano anterior.
Um documento da Diretoria Econômico-Financeira dos Correios indica que o programa Remessa Conforme não apenas reduziu a participação de mercado da empresa, mas também expôs suas fragilidades financeiras. O texto destaca que a queda acentuada no volume de encomendas internacionais, que chegou a cerca de 110 milhões de pacotes a menos nos primeiros nove meses de 2025 em comparação ao ano anterior, demonstra a ineficiência operacional da estatal. Além disso, a nova legislação permitiu que empresas de transporte realizem o frete, o que antes era exclusivo dos Correios, levando a um impacto significativo nas receitas da empresa.
Esse cenário tem gerado um ciclo vicioso de prejuízos, conforme admitido pela própria diretoria dos Correios. A baixa qualidade operacional e a perda de clientes têm comprometido a geração de caixa necessária para que a empresa cumpra suas obrigações financeiras. Diante dessa situação, fica evidente a necessidade urgente de reavaliação das estratégias e gestão da estatal, que se vê em um momento crítico de sua trajetória.
Fonte: G1







