A base governista, em uma manobra articulada, alterou a composição da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado e conseguiu rejeitar o relatório final do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) na última terça-feira, dia 14. O resultado foi de seis votos a quatro contra o texto, que pedia o indiciamento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do procurador-geral da República. O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), opôs-se ao relatório, embora não tenha votado. Essa rejeição segue o mesmo padrão observado na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Instituto Nacional do Seguro Social, onde a base do governo Lula influenciou decisivamente os resultados. Desta vez, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), atuou diretamente na derrubada do texto, enviando um ofício que alterou a formação da comissão, aumentando a presença de parlamentares do PT. O relatório, que foi rejeitado, apontava indícios de crimes de responsabilidade por parte dos ministros do STF, como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além de Paulo Gonet. A CPI mapeou 90 organizações criminosas, evidenciando o crescimento do crime organizado no Brasil, que afeta a segurança pública e a economia. O documento propunha um pacote de medidas para modernizar o combate ao crime, mas a rejeição do relatório demonstra a resistência em responsabilizar figuras do governo e do Judiciário. A CPI encerrará os trabalhos sem ter ouvido mais de 90 convocados, evidenciando a ineficácia da investigação frente à pressão política.
Fonte: Oeste









