A Unilever, responsável por marcas como Omo, Comfort e Cif, fez duas denúncias à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) entre outubro de 2025 e março deste ano, indicando suspeitas de contaminação microbiológica em produtos da Ypê, incluindo detergentes e o lava-roupas Tixan Ypê. Essas denúncias precederam a decisão da Anvisa, anunciada em 7 de maio, que determinou a suspensão da fabricação, venda, distribuição e uso de diversos produtos fabricados pela Ypê em sua unidade de Amparo, São Paulo.
Documentos obtidos pelo jornal Folha de S.Paulo revelaram que análises encontraram a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa nos produtos da Ypê, o que foi classificado como uma “evidente falha das boas práticas de fabricação” e apontou para um “iminente risco à saúde e segurança dos consumidores”. A Unilever contratou o laboratório americano Charles River para confirmar a identificação da bactéria e avaliar os possíveis riscos sanitários.
A bactéria em questão pode causar infecções na pele, trato urinário, olhos e ouvidos, além de apresentar resistência a antibióticos, tornando o tratamento complexo. Após as denúncias, a Anvisa realizou inspeções na fábrica da Ypê em Amparo, resultando na interrupção da produção e comercialização dos produtos líquidos fabricados naquele complexo.
No dia seguinte à decisão da Anvisa, a Ypê conseguiu suspender as restrições administrativamente, mas optou por interromper temporariamente a fabricação para realizar ajustes internos. A Unilever, em resposta, afirmou que a prática de realizar análises técnicas em produtos concorrentes é comum na indústria de limpeza, e destacou que a Ypê já estava ciente do problema, iniciando o recolhimento de alguns itens antes da intervenção da Anvisa.
Fonte: Oeste



