O uso de criptomoedas por organizações criminosas no Brasil tem crescido de forma alarmante, desafiando as autoridades e a segurança pública. Em 2022, a Polícia Federal (PF) apreendeu mais de R$ 70 milhões em criptomoedas associadas a atividades ilícitas, o maior valor já registrado desde o início do monitoramento deste tipo de ativo digital. Esse montante representa um aumento significativo em relação aos valores apreendidos nos anos anteriores, mas ainda é considerado apenas uma fração do total movimentado por grupos criminosos no país. As operações ilegais abrangem diversas atividades, incluindo tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, fraudes financeiras e tráfico humano.
Dados da Lei de Acesso à Informação revelam que o crescimento das apreensões está atrelado à expansão do mercado de criptomoedas no Brasil, que movimentou mais de R$ 505 bilhões em operações declaradas à Receita Federal em 2025. Reconhecendo o problema, as polícias estaduais e federais têm se mobilizado para criar estruturas especializadas em rastreamento digital e investigação de blockchain, como o Núcleo de Operações com Criptoativos (NOC), criado pelo Ministério da Justiça em 2022.
No entanto, a rápida adaptação das organizações criminosas às novas tecnologias tem dificultado a fiscalização. Apesar das ações da PF, como a identificação de esquemas de lavagem de dinheiro que movimentaram bilhões, o desafio persiste. As criptomoedas, devido à sua natureza descentralizada e à velocidade nas transferências, atraem cada vez mais criminosos. A popularidade das stablecoins, como a USDT, que representa uma grande parte do mercado, apenas agrava a situação, uma vez que suas transações são mais rápidas e menos voláteis.
Enquanto isso, o Banco Central busca regulamentar o setor, mas enfrenta críticas sobre a eficácia de sua fiscalização. A crescente complexidade do mercado de criptomoedas exige uma resposta ágil e eficiente para garantir a segurança e a integridade financeira do país.
Fonte: Oeste









