A juíza Carolina Moreira Gama, da 5ª Vara Criminal de Ribeirão Preto, condenou o médico e professor Jyrson Guilherme Klamt a uma pena de 3 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão em regime aberto, devido a crimes de discriminação e preconceito. O docente da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) também deverá pagar R$ 10 mil a cada uma das duas vítimas como reparação por danos morais. Os incidentes ocorreram em novembro de 2023, durante um almoço no refeitório do Hospital das Clínicas da USP, onde Klamt abordou as estudantes Louise Rodrigues e Silva e Stella Guilhermina Branco Fontanetti. Segundo a sentença, o professor utilizou termos ofensivos e insinuou que elas estariam em perigo ao utilizarem o banheiro feminino da instituição. O Ministério Público fundamentou a acusação em discurso de ódio e incitação à violência, com testemunhas corroborando as alegações de uma abordagem agressiva. Em sua defesa, Klamt negou as acusações, alegando que apenas questionou regras de uso dos banheiros. No entanto, a juíza rejeitou seus argumentos, ressaltando a coerência nos depoimentos das vítimas e a gravidade de suas ações, considerando ainda sua posição de professor como um agravante. A condenação se alinha ao entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre a transfobia, e o réu deverá contribuir mensalmente com um salário mínimo para uma entidade de apoio à comunidade LGBTQIA+ em Ribeirão Preto como parte das condições de sua pena. Apesar da condenação, Klamt tem o direito de recorrer em liberdade, e a juíza sugeriu sua participação em programas de aprendizado sobre diversidade. Essa decisão marca um importante precedente no combate à discriminação dentro das instituições de ensino.
Fonte: Oeste



