Home / Brasil / Consumo de carne de burro na Argentina reflete crise econômica atual

Consumo de carne de burro na Argentina reflete crise econômica atual

A carne bovina, reconhecida mundialmente pela sua qualidade, sempre foi um ícone na mesa argentina. No entanto, com o recente aumento de 6,9% nos preços da carne bovina, que superou a inflação mensal de 3,4%, uma alternativa inusitada começou a ganhar popularidade: a carne de burro. Em Trelew, na Patagônia, um projeto chamado ‘Burros Patagônicos’ tem apresentado essa carne como uma opção viável. O produtor rural Julio Cittadini, que desenvolveu a iniciativa durante dois anos, conseguiu a autorização das autoridades sanitárias para oferecer a carne em um açougue e um restaurante local. A chef Carla Gutiérrez, do restaurante Don Pedro, relatou que pratos como empanadas e linguiças feitas com carne de burro foram um sucesso, com clientes elogiando seu sabor semelhante ao da carne bovina, mas com menos gordura. Apesar da boa recepção, especialistas afirmam que o consumo de carne de burro ainda é limitado e reflete uma mudança nas preferências dos consumidores em busca de opções mais acessíveis, dado que o quilo da carne de burro custa cerca de 7.500 pesos, enquanto a carne bovina pode chegar a 19 mil pesos. A inflação acumulada de 9,4% neste ano tem pressionado o consumo, com a carne bovina apresentando queda de 10% no primeiro trimestre, o menor nível em duas décadas. A situação econômica da Argentina, marcada por uma recessão e aumento da inflação, está mudando hábitos alimentares que antes eram profundamente enraizados na cultura do país, como a predominância da carne bovina. O projeto de Cittadini, que começou por questões de resistência animal a condições adversas, agora se torna uma alternativa durante tempos difíceis. A curiosidade em torno da carne de burro pode ser vista não apenas como uma mudança alimentar, mas também como uma resposta à crise econômica que afeta o cotidiano dos argentinos.

Fonte: G1

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *